| Posted on April 21, 2011 at 2:50 PM |
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O homem tinha perambulado por toda a cidade:
Entre os habitantes um velho muito calado.
Era seu alvo.
Sem seus parentes como escudo,
o velho andava a deriva,
Memória fraca e pouco ativa.
Sua estória, ou história interessa,
muita coisa pode ser verdade, outras mentiras,
tudo faz parte, nada pode ser descartável,
não antes da grande leitura, do grande livro...
O velho na mira,
sua casa velha, entre árvores avulsas,
parecia uma floresta, meio de luto,
afinal a maioria dos habitantes daquela selva
nem chegava mais a ser um vulto.
Quando se tem parentes se diz
sou eu filho de fulano, de cicrano, de beltrano,
nasci lá na beira do rio, no capão do mato,
naquela ponte, nas amoreiras,
tudo fica mais facil...
mas quando se é só e se é velho demais,
todos já morreram... não se sabe
quem se é... e principalmente se a pouca memória,
(memória de uma pessoa só
não ajuda.
È com certeza o fim da labuta.
O perambulante da cidade,
filho abandonado de ninguém, cresceu a mingua,
no lixo que nunca desabriga.
Uma vez viu o velho desdentado,
sentiu parentesco com ele... faltava-lhe também os dentes,
que são muito mais que garras,
como as estranhas cigarras,
misturadas aos cipó das grandes árvores,
só se revelam pelo canto.
Ele também era filho da terra, abençoado das estrelas mais brilhantes,
e sua barriga de miséria, afundada feito poço de rocha,
fugia longe lhe água, cada vez mais distante.
Ao encontrar o velho,
Você é meu parente remoto,
sou seu último descendente,
o velho aceitou.
Posso ser sim, se acaso te interessa,
a velha árvore que cuidou de mim.
O homem conhecia a lenda da grande árvore da floresta,
o velho conhecia a grande árvore da floresta,
a mais antiga, antes dele nascer,
mais cultivada e amada árvore,
que o alimentou com seus frutos, feito peito
de mãe parideira por séculos sem fim,
e agora ele tinha fome, fome de saber,
tinha sede de conhecer o caminho,
o mesmo que o empurrou vida afora,
para muito longe de si mesmo, para muito longe de outrora...
| Posted on April 21, 2011 at 2:42 PM |
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| Posted on December 17, 2010 at 7:25 AM |
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| Posted on November 30, 2010 at 5:44 PM |
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| Posted on June 3, 2010 at 10:57 AM |
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Eles fizeram um estrada larga no meio das árvores,
não sei para que... não passava ninguém por lá.
Assim às margens da estrada havia grandes árvores,
e muitos pássaros nelas, cantavam e cantavam
a vida inteira...
Mas inventaram uma escola bem no final dela.
E sem mais nem menos a estrada encheu-se de crianças.
Era aquela algazarra, de manhã, ao meio dia
e à tardinha.... Os pássaros voaram para os galhos mais altos
das árvores... Nunca foram acostumados a andar em estradas
descampadas... cachorros, gatos, cobras...
não eram boas companhias para eles
e as crianças eram maravilhosas, mas não tinham asas,
se tivesse pobre das aves...
No final de algum tempo de convivência dos pássaros
com a nova estrada, a maioria deu-se nas asas e voou,
só os mais loucos ficaram e por último mesmo só ficou
um estranho pássaro, pousado lá no alto da árvores,
As crianças nem o viam, ouviam-no algumas vezes
cantar... ele sabia cantar muito bem, mas quando
as crianças apareciam o pássaro fechava o bico.
O pássaro gostava mesmo era de ouvi-las.
No final do semestre as crianças sumiram
a estrada se silenciou completamente,
não havia outros pássaros semelhantes a ele por ali, também,
nem cachorros, nem gatos, cobras, não sei...
Sei apenas que estrada larga, iluminada e vazia
se estendia pela imensidão... e o pássaro
pousado lá no mais alto galho da árvore pensando:
Eu podia ser um bichinho daqueles que andam pela estrada
fazendo algazarra, o mundo parece mais belo assim de perto,
será que eu não podia tentar caminhar um pouquinho
naquela maravilhosa estrada. Ninguém tá vendo,
se eu não conseguir, quem vai se importar com isso, quem vai rir...
Passaro via o quanto a estrada era longa
e como devia ser bom caminhar nela, nem que fosse só uns passinhos...
e lá de cima via também que não havia ninguém
passando nela, estava deserta e solitária,
provavelmente aquela estrada ia adorar
que ele caminhasse nela. Decidliu descer da árvare,
num jato só pousou no chão:
Que deleite mágico era tocar a terra,
assim nem que fosse só com seus leves dedinhos do pé,
ele queria mesmo era se esfregar no chão,
bicou a terra, arrastou as asas, correu daqui pra lá de lá pra cá,
imitando a criançada, cantou e recantou sua única melodia,
tentou até conversar em linguagem de pássaro,
queria imitar o som da voz das crianças,
ninguém viu sua façanha mas ele não ficou triste.
Continuava sua grande aventura pela estrada
dançando e cantando sozinho...
o pássaro logo esqueceu que era pássaro e
que sabia voar... se sentia um menino só mas feliz.
nem em sonho percebia qualquer outra realidade.
Mas vida de pássaro é cruel. As crianças sabem quando anoitece,
eles vão para casa e se protegem... mas o pássaro esquecido e maravilhado,
não percebeu e a noite caiu em cima dele
como se fosse um enorme pano preto.
Aí não viu mais estrada nenhuma. Tudo escuro.
e como ele era pequeno demais enquanto estava
pela estrada larga todo o mundo inteiro virou só aquela
estrada, ele não via a paisagem...
No escuro completo, meio pássaro e meio menino,
uma parte dele queria voar, a outra ficava no chão,
até que ouviu um ruido insuportavel no meio da escuridão
surgiu um farol que voava. Era uma luz estranha e maléfica
que vinha em sua direção.
Ele sabia o que era: Aprendeu com os meninos.
Aquilo era uma moto. Os meninos riam quando a moto passava,
mas o pássaro se assustava...
Seu instinto de voar apareceu de repente ele começou voar,
mas voava lento, rente ao chão e a moto vinha ao seu encontro.
Ele sentiu que era muito grande, muito pesado
e que a larga estrada tinha menos de um metro de largura
e era muito cumprida, cheia de curvas
e inclinada. Desesperou-se...
Foi diminuindo de tamanho rapidamente ficando
tão pequeno que parecia um vagalume.
mas a estrada também diminuia.
Virou-se na curva a moto sumiu.
Apareceu o fogo nas duas margens da pequena estrada,
os dois ventos, não se porque sopravam as linguas
de fogo para o centro da estrada.
O pássaro sabe que suas asas incendiárias
são irremoviveis de si, se pegassem fogo, era o fim.
Voava entretanto entre os fogos das margens,
serenamente, sentia que passava pelo fogo e passava,
com medo e cuidado foi vencendo aquele caminho
assustador... as labaredas quase o tocavam!
Pelo menos com aquele fogo deu para ver melhor
a estrada... seria noite... coisa que ele o pássaro jamais tinha vivido acordado.
Era pois sua primeiríssima vez a vivência
daquele estranho estado.
Já estava voando bem a mais de um metro do chão,
perdendo o medo das labaredas e sentindo-se
capaz de dominar o conhecimento da estrada,
e voando, voando assim, na solidão da noite,
o pobre pássaro também não percebeu o amanhecer...
Mas tudo foi clareando assombrosamente a sua volta:
e numa curva inesperado o pássaro acabou vendo
que estava proximo a um grande rio,
com vorazes correntezas: e não deu tempo de pensar,
o pássaro despencou em alta velocidade
para dentro do rio. Mergulhou nas águas cristalinas
de um rio no amanhecer do dia.
Suas águas geladinhas eram o melhor abraço do mundo,
para ele que tinha atravessado a noite inteira
aquele caminho de fogo.
E lá dentro do rio, não sabe como suas asas sumiram
apareceram braços e pernas, eu acho que era isso,
que se espalhavam por todo lado,
balançando as aguas,
era um novamente um menino aos abraços e beijos,
com as águas doces de um rio.
Ficou lá nadando muito tempo...
não se lembrava que era pássaro, nem mesmo um menino
acreditava que era peixe e o rio também acreditava nisto.
Logo uns ramos na margem direita do rio se jogaram em cima dele,
embaraçaram seu sonho e ele o menino
agarrou nos ramos e subiu as margens...
De lá de cima olhava ainda para as águas e sentia muita saudade,
de sua vida passado, e sorria com uma certa sabedoria!
Foi subindo os campos, pisando a terra, assobiando,
logo viu sua casa, seus irmãos, seus animais,
sua mãe seu pai... enfim sua familia, viu tudo que tinha que ver.
Era um menino, um menino cantor
que voava pelo mundo inteiro
com suas asas de penas,
e suas penas de dores!
| Posted on June 3, 2010 at 10:55 AM |
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Mar movimento
céu cinzento,
muito vento.
Frio, vazio,
olhos sem brilho,
nuvens paradas.
Tenho fugido das suas
saudades para viver delas,
sem sua desconfortável presença ausente.
manhã de domingo,
chuva. Águas e magoas.
o relogio e a hora,
em conflito.
Um canto triste
sereia, baleia...!
uma alma sem sonho!
Oro o ouro de meus olhos,
líquido e pálido,
não sei onde vou
nem o mar sabe.
Suas ondas, lâminas e lamurias
sinceras me carregam
pra direita pra esquerda,
de olhos fechados,
não quero ver nada,
nem as gaivotas
em revoadas
Dia. Manhã
podia ser clara, mas é negra!
meus pés firmes
me carregam
mente e coração.
arrastados pela areia.
Não mais que de repente,
inesperadamente,
convulsivamente
ele aparece.
Surge mesmo das nuvens negras do céu,
sua pele de marfim negro,
brilha. E a primeiro sol do dia,
invade meu corpo com seu calor,
com seu sabor,
com sua luz e me fantasio
de estrela numa perdida lua
fora de seu céu.
Quero te ver fora do mar,
na esquina da rua,
com seu sorriso abrançado prédios.
a esperar o sinal abrir,
e correr do outro lado,
onde tudo será mais facil,
onde tudo será nosso
Quero te ver longe daquele céu escuro,
daquele dia em que eu fui imensamente triste,
e voltei para sempre feliz.
| Posted on March 31, 2010 at 12:43 PM |
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Ela tinha no máximo 12
mas se eu pudesse exagerar diria, até quinze,
para amenizar.
Uma bota plataforma de madeira pesada,
com enorme salto
que ela arrastava com todo seu corpinho,
minúsculo e magrinho,
pela calçada esburacada.
Metade das coxas fininhas encobertas, pelas botas
que claramente nem suas eram
eram de pés maiores.
A sainha justa e cinza, apertadinha,
cobria apenas sua nádiga, precariamente,
de menina.
A blusinha de tirinha e decotada, tanto
na frente quanto atras era horrivel.
Mas o xale era chique e raro,
bordado e espalhado sobre as costas nuas
Denunciava: Alguém a vestia assim.
Os cabelos especialmente desarranjado
escondia sua face infantil,
os olhos pintados, de azul marronzado,
disfarçava as marcas de agressão,
espancamento. Os olhos estavam úmidos,
as faces tinham uma leva marca de lágrimas.
que ela já esqueceu onde as derramara.
Eu distraidamente atenta acompanhava a pequena figura
que se movia pela calçada
uma sombra escura a seguia...
Ao se aproximar mais de mim,
teve que me olhar... eu esperava que sim,
Me perguntou naquela fração de segundo:
O que faço com minha vida,
por este mundo...!
Fiquei caladol, também sou cúmplice
da condição de mulher.
Logo em seguida me deu as costas,
alguns homens dificeis de encarar a observavam:
Estou certa que para nenhum deles ela era sexi!
Em uma das mãos enroladinha, uma nota de 10 reais...
ela levantou a sainha cinza, e apareceu
sua calcinha vermelha de renda,
feito aquelas de criancinhas...
com todo descuido consigo mesma
enfiou o dinheiro na calcinha...
depois arrumou a saia o melhor que
pode, o xale puxou e puxou... melhorou...
Saiu arrastando a pesada bota pela calçada.
e logo logo desapareceu.
Eu também desapareci...
com meu coração na mão,
sem coragem para questionar.
| Posted on December 22, 2009 at 1:33 PM |
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Merry Chirstmas and happy new year to all my guest! You need Adobe Flash Player to view this content.
| Posted on September 30, 2009 at 4:38 PM |
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Blog de Maria Melo - Brasil Paraná.
São arranjos. Idéias.
Ideais. Pensamentos...
Ponto de vista colorido.
Movimento
Traços. Letras... ajuntamento!
Andamento, marcha...
som disritmia
poesia manca,
às vezes vazia.
coração de pardal,
flor de margarida.
noutras nuvens claras, dia!
Faça sol,chuva faça
o tempo passa, foge,
mas não vai!
Feito fantasma de outros tempos
embaça!
Navegue sem medo
na mente de Maria Melo
seus fantasmas são brincalhões,
seus labirintos tem saída,
sua força elástica
é também do circo
e seu pallhaço
é na de verdade
o riso da própria vida!
Cada traço, cada movimento,
é um pedaço, apenas,
outras partes deste quebra cabeça
vem com o tempo.
| Posted on September 13, 2008 at 6:13 PM |
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O que dizem as conchinhas nas mãos de Maria Melo?
Elas dizem: "Já passamos por toda humanidade"
| Posted on November 12, 2007 at 6:51 AM |
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| Posted on November 12, 2007 at 6:50 AM |
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| Posted on November 12, 2007 at 6:48 AM |
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| Posted on November 12, 2007 at 6:48 AM |
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| Posted on November 12, 2007 at 6:46 AM |
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| Posted on November 12, 2007 at 6:40 AM |
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| Posted on November 12, 2007 at 6:30 AM |
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| Posted on November 12, 2007 at 6:26 AM |
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| Posted on November 1, 2007 at 5:26 PM |
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Coisas maravilhosas na ascens?o
Tombo sem dor
Tombo de beb?.
Amortecido pelo lume da
novidade da vida.
Tombo de tanto beb?...
amortecido pelo desencanto da
rotina vivida.
Tombo de capoeira,
cambalhota
plantagem de bananeira.
Tombo de sonho
que me acorda bisonha e suada
tombos outros, de c?micas
gargalhadas.
| Posted on November 1, 2007 at 12:49 PM |
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